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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Último Recurso

A primeira palavra
é a de ordem,
nós estávamos conectados
mesmo longe uns dos outros
e era o suficiente, como sabíamos!
Tínhamos por consciência
um só legado, tinham-nos deixado
sem que soubéssemos a procedência
e era o suficiente, como sabíamos!

Éramos joguete fácil,
mas longe de sermos as peças
incrustadas na parede, mosaicos e
antigos quadros.

Pois acontecêramos
de sermos o evento,
pondo-nos assunto
eles logo se acercaram
do maior erro já cometido
na História deste país.

Simplesmente, eles esqueceram,
acometidos de alguma providencial caduquice
éramos esquisitos, como foi fácil adivinharem
porque dá-se por frágil o estranho,
era justo o que precisávamos.

E, de novo, as ruas ficaram abarrotadas
com rostos estranhos; de novo nos vingávamos
sem muito esforço.

Esqueceram quase por descaso
(mas sabemos que nunca há descaso)
quem fomos a vida inteira: bobos!
vacilavam-nos com covardia,
era tudo que queríamos,
era o suficiente, como sabíamos!
Logo agora --- honestidade: por pouco
deixamos passar --- e era tudo, mais nada.

Pedro Costa

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