Sobressai aquele que, na escolha de uma arma, tem a memória. Ali está contido o material do qual precisa, e nada mais, para dar-se por vencida qualquer guerra tida por terreno o âmbito das ações e, age conforme guerreia; guerreia como age sempre tendo por um armistício invencível os porões da consciência levantando dela as retóricas quais as manipulações imprescindíveis e que, no ali subterrâneas, são como minas terrestres, bem afundadas no prematuro solo onde nascerão suas maiores conquistas; de facto é fundamental a saúde da cognição como um artefato bélico, o usufruto pacífico parecendo pelo quanto emerge em potência, aspirando a uma hierarquia um escalão abaixo; vê melhor quem assume que as lembranças encontram-se abaixo, e justo por este motivo há-de ter cautela, na lei conferida do plantel, entre os paióis menos variados, a escolha melhor ser por uma memória melhor em detrimento de outras potencialidades sujeitas do indivíduo; quando plantam-se, as lembranças nada nutrem de formidáveis no que toca a enumerá-las, tarefa esta do cômico contador de histórias, muito envelhecidas as memórias o convencem; e, não ele a elas, de que é mister contá-las, perdendo-se bastante tempo, tempo este, precioso para aquele elemento guerreiro do qual somos a traição quando nos deixamos a ele a vocação do divagamento e, a posteriori, do deslumbramento; diferente é o sabedor que disto apenas o que pode vencer é a memória com prazo de validade. A intuição arroubada e conquistada com a experiência mostra isso; pelo seu amplexo determinista, lembrar de algo assemelha-se a uma conquista sob o encargo da consciência pelo quem reflete, a memória é a alma do sujeito dela afeiçoado e, portanto, cuida para não desperdiçá-la, povoando o campo minado apenas com as suas lembranças frágeis, de maneira, resolutamente, à qual possam ter seu efeito ao mero contato, com tal despendendo-as mais à superfícies para o seu efeito ser, ainda, como o de um rememorar fácil se delas precise; e, se não de modo a não mais poder retornar a elas na esperança de que inutilizem com o agir da matéria outra que a corrói, o Tempo. Meramente ter por lembrar o efeito mesmíssimo qual tem, sob sua petulância, o de esquecer; assim tornando-as obsoletas e, até como um objeto que transmita a mensagem de Paz; que não é outra senão a esquizofrenia, querer-se lembrar e, no lugar de favorecer mesclado com o percalço de agora, enrijeça o Espírito, tomando a lembrança um caráter cambiante ao qual a trégua, como em tempos de guerra, é a melhor estratégia. Temos, neste composto, a maturação do Espírito proclamando a sua Vontade; conquanto, a interior; seus mecanismos de busca; suas aventuras; suas núpcias com a matéria; os aveludados que nos são raras permissões os toques à consciência; a maturação espiritual, o contrário da infantilização a ver como resposta a qualquer limitação da memória, um estímulo, para ir procurar no mundo; e por tanto, fora de si, a delegação de um instinto puramente interior e individual, que é a intuição; logo, quaisquer atos externos à memória, participam alguns agentes incômodos por serem estranhos a ela; a saber, a percepção secunditária; a qual não viria se não de forma a quem uma substância exterior, e alienígena, viesse em conformidade a ela juntar-se, e tal prejudicaria por completo o quanto dá-se à primeiridade, perdida ao instante, evanescendo e que, para não resulte da emérita descoloração a qual sofre a memória, sucumbe ainda a uma terceiridade; cousa a quem, enfim, poder-se-á chamar a razão particular em cada indivíduo a medir já então, no objeto exterior a si, uma negação de si e que está tão longe da mônada perde-se no âmago, este estado compete com os derivados do uso de narcóticos quais a música depreendendo, fora de sua individuação, o seu princípio dionisíaco, porém, atrelado ao menos importante e deixado à revelia encontrando pares apenas na sensações de frêmito e frenesi comuns à prática de certas frases; contrapondo o objeto entediado do remorso o qual dá-se quando, acordado de si, a consciência do indivíduo, como por um deja vu, percebe que estivera longe por tempo demais, precisando tornar a si para olhar-se novamente como único; a memória é, neste momento, um serviçal necessário, e também, um tirano cruel e é em casos como estes, ainda, que chorar é comum, ocorrido todo o tempo passado a um átimo nota-se mais não possuí-lo individualmente; e tão-só, através de respostas influídas pela lembrança, das quais a servidão maior sãos os órgãos do sentido, a ressonância da consciência pode pintar aí um belo quadro do quanto se era; do que se foi --- e embora mais do que isso parecer um ato muito ardoroso, poder interessar-se por estas memóorias, e saber, por elas o que ter em vista.
Pedro Costa
Blog estritamente com fins literários. Peço,por meio desta, aliás, exijo os direitos sobre tudo o que está escrito. Sem brincadeira, respeitem o espaço, para evitarmos complicações judiciais. Agradece, Pedro Costa.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
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