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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

- Sem Título -

(I)

Quando eu puder me lembrar
do quanto fiz e que quis esquecer
estarão ainda essas cousas para
a minha resiliência a caráter e
próximas de serem como eram, foram
para mim?

(II)

Fazer o quê, de tantas incongruências
fazê-las não pertencerem mais
e, neste plano do que poderiam ter
sido; que mais não serão, então?

Enfim, descartá-las?
E abdicar tal como nada mesmo
                                                       [são; patentes
de um tombado o qual perdeu-se a
garantia, nada em tendo-mas
e observado sorrirem cousas impres-
cindíveis, mas sem ainda como ter
em retomá-las; e partir delas para
alhures. Como é possível, se de tão
minhas, tais quais de ninguém, te-
nham sido dadas vãs!

(III)

Quê de mundanidades elas tinham
e, outrossim, mundos em si houveram
de ir têr c'os demais mundos fora do
Homem; fora de si!
Riríeis, soubessem bem como as deixava
livres a repousarem ao sol; como as
nutria e como deveriam, no caso de
realizáveis, estar inconformadas de
terem dado em nada; Ó, quê das
                                                       [cousas!

(IV)

Pois, eu lembro muito bem delas deses-
peradas por, em sendo acolhidas, serem
enfim algo qual jamais foram pois que
impermitidas já não sucedem mais
serem, aliás, entre uma e outra
cousas há no ali uma vaguidão in-
finita e um inferno lascívio onde
queimo-mas uma sedução intermi-
tente, a chamá-las e chamá-las.

Tudo vão.

(V)

Anti-texto.

(VI)

Sobraram uma procissão de casuali-
dades, descabimentos urdidas por
uma cruz leiga sacrificadas à
comunhão de tudo o que era pra ser
e não foi.

Não posso socorrê-las; elas nem estão
aqui!, ora! Nunca estiveram; quando
eu as tivera, nem assim cá elas esti-
veram comigo quanto a jogá-las fora
prematuramente, eu a agir.

Ações, também sequer!
Limites, talvez.
Cousas, outramente; mas que bem nem
existir para tanto serviram, ou servi-
riam a borracha que lhas atravessei
descompassado, arte sim; a arte
do esquecimento poder-se-ia chamar
assim pois que partes de um todo sem
partes.

(VII)

Leia-se, amontilhados em uma pare-
de, perdidos de quem goste seu vinho.

Pedro Costa

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