É uma tarde clara, boa para uma conversa já ardis os últimos raios solares se deslocam, procuram abrigo ao horizonte, o mar declama a maré baixa e é possível caminhar rente despreocupado, reivindicar alguma beleza natural, extroverter versos, quiçá; dous homens desocupados vagam na paisagem fazendo, um ao outro, observações a respeito de assuntos particulares e à imposição ora de um argumento, dá-se súbito um embate:
A: Perdes-te, caro. Mais não segura o teu antes dito. Vê-me, minha peleja é forte. Para onde foi aquele meu antigo companheiro, de arguição aguda; perguntaste algo, mas a minha posição sobre o arremata.
B: Não. Ocorreu o seguinte: eu sequer abri minha boca, tomaste por uma pergunta o que fora uma exclamação; estive eu a falar desta tarde; e tu, a falar de ti mesmo.
A: Custa-me crer; vejamos: em tarde como esta estiveste a falar, então? E o que ouvi uma pergunta feita?
B: Talvez não estejamos mais sós...
A: Talvez tu é uma besta. Falar da tarde!
B: E sós não mais estamos; vês?
Petro
Blog estritamente com fins literários. Peço,por meio desta, aliás, exijo os direitos sobre tudo o que está escrito. Sem brincadeira, respeitem o espaço, para evitarmos complicações judiciais. Agradece, Pedro Costa.
domingo, 3 de janeiro de 2016
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