Como construir uma crônica-conto.
- Obrigado...
Surpresa! Carminha fora sua amante
por dous anos, ninguém soube do
caso; e não saberia se não estivesse
contando, tornando público como foi.
- Obrigado - Carminha insistiu.
- O que fiz por você?
- Deixa pra lá - desconversou
Carminha.
(mas que agradecia ela)
Foi pra casa pensar.
O prejuízo que dera aquela simples
frase: - Obrigado...
Sim, eram amantes; ninguém soube,
esperava Edimar, mas o que, diabos!?
O que Carminha agradecera!?
Ficou calada.
Aliás, calada não!
- Deixa pra lá - emendara Car-
minha.
A mulher chegou. Em casa.
- Querida, você... assim... já
disse alguma coisa sem querer para al-
gum homem; pra mim por exemplo; al-
to que, simplesmente, saiu!?
- Tipo o quê?
- Obrigado... tipo isso?
A mulher fixou os olhos nos dele:
- Por quê? Alguma mulher te disse
"Obrigado"?
- Não, não...
- Assim, sem ver nem pra quê?
Edimar começou a se embaralhar com
as palavras.
- Nunca. Não, meu amor.
- E, por que a pergunta?
- Nada não.
- Edimar, quem te disse "obrigado" sem ver nem pra quê!!?
- Nada..., quero dizer, ninguém.
- Edimar...
Pelo andar da carruagem, a mulher descobriu tudo.
Edimar foi fraco (a bem da verdade, sempre achou que a mulher o
descobriria, só não sabia do desfecho que isso ia ter...)
- Obrigado...
Quem diz um obrigado e, não explica! Mesmo com
o caso descoberto e o casamento arruinado, aquilo não
lhe saía da cabeça.
***
Dous anos mais tarde, Edimar, andando
de casa para o trabalho; dous anos com-
pletos do ocorrido, ele encontra por acaso
com a Carminha. Não falara mais com ela
desde então. Um menino agarrava a barra
de sua saia. Ele fixa o olhar no menino. Era a sua cara. E, a Carminha:
- Obrigado...
P.S. Notar que a amante, por ser personagem de maior relevância, leva um nome que a indica como tal; à esposa, é dado o tratamento coloquial mais comum, ou seja. ela é apenas "mulher" do protagonista, cujo protagonismo é dividido com Carmina, a amante.
Pedro Costa
Blog estritamente com fins literários. Peço,por meio desta, aliás, exijo os direitos sobre tudo o que está escrito. Sem brincadeira, respeitem o espaço, para evitarmos complicações judiciais. Agradece, Pedro Costa.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
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