Blog estritamente com fins literários. Peço,por meio desta, aliás, exijo os direitos sobre tudo o que está escrito. Sem brincadeira, respeitem o espaço, para evitarmos complicações judiciais. Agradece, Pedro Costa.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Obrigado

Como construir uma crônica-conto.

     - Obrigado...
     Surpresa! Carminha fora sua amante
por dous anos, ninguém soube do
caso; e não saberia se não estivesse
contando, tornando público como foi.
     - Obrigado - Carminha insistiu.
     - O que fiz por você?
     - Deixa pra lá - desconversou
Carminha.

     (mas que agradecia ela)

     Foi pra casa pensar.
     O prejuízo que dera aquela simples
frase: - Obrigado...
     Sim, eram amantes; ninguém soube,
esperava Edimar, mas o que, diabos!?
     O que Carminha agradecera!?
     Ficou calada.
     Aliás, calada não!
     - Deixa pra lá - emendara Car-
minha.
    A mulher chegou. Em casa.
     - Querida, você... assim... já
disse alguma coisa sem querer para al-
gum homem; pra mim por exemplo; al-
to que, simplesmente, saiu!?
    - Tipo o quê?
    - Obrigado... tipo isso?
    A mulher fixou os olhos nos dele:
    - Por quê? Alguma mulher te disse
"Obrigado"?
     - Não, não...
     - Assim, sem ver nem pra quê?
     Edimar começou a se embaralhar com
as palavras.
     - Nunca. Não, meu amor.
     - E, por que a pergunta?
     - Nada não.
     - Edimar, quem te disse "obrigado" sem ver nem pra quê!!?
     - Nada..., quero dizer, ninguém.
     - Edimar...
     Pelo andar da carruagem, a mulher descobriu tudo.
Edimar foi fraco (a bem da verdade, sempre achou que a mulher o
descobriria, só não sabia do desfecho que isso ia ter...)

     - Obrigado...
     Quem diz um obrigado e, não explica! Mesmo com
o caso descoberto e o casamento arruinado, aquilo não
lhe saía da cabeça.


                                     ***

     Dous anos mais tarde, Edimar, andando
de casa para o trabalho; dous anos com-
pletos do ocorrido, ele encontra por acaso
com a Carminha. Não falara mais com ela
desde então. Um menino agarrava a barra
de sua saia. Ele fixa o olhar no menino. Era a sua cara. E, a Carminha:

     - Obrigado...

P.S. Notar que a amante, por ser personagem de maior relevância, leva um nome que a indica como tal; à esposa, é dado o tratamento coloquial mais comum, ou seja. ela é apenas "mulher" do protagonista, cujo protagonismo é dividido com Carmina, a amante.

Pedro Costa
 

Nenhum comentário: