Blog estritamente com fins literários. Peço,por meio desta, aliás, exijo os direitos sobre tudo o que está escrito. Sem brincadeira, respeitem o espaço, para evitarmos complicações judiciais. Agradece, Pedro Costa.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Já ía

Já ía.
O praiano voltara,
Esteve à casa de veraneio;
Voltava então,
Sustinha em uma mão
Uma viseira se por sem o uso habitual
Descolada entre os dedos da mão;
Pendia,
Eu, que ía
Já por esperá-lo
Demais estava cansado;
Exausto.
Sorrindo, o praieiro simulava uma alegre
E convincente expressão de alívio; a
Verdade é que atrasara muito,
E moía uma culpa dissimulada,
Trás de talvez paz alguma sacrificada
E deixada a um banho de mar hipotético.
Caminhava.
Sentado, esperei seu jeito manhoso de
Aproximar-se;
O seu quase pasmo de ainda ter-me por
Esperá-lo, escondia-o muito bem, por
Sinal.
Nadei mudo um trote de palavras atra-
vancadas: -- Trouxe?
Esquecera! Como pôde!, com que cara
A mim podia afirmá-lo: não trouxera.
Mais em mim a raiva cresceu...
Rosto fúnebre. Flamas de ódio no olhar;
O praieiro não importou-se, parecendo
Desculpar-se no trocar-se pelo rindo,
Estando-se presente, parecia bastar-lhe,
O que de mudou-me para impaciente a
Dolência eu me fiz mudo; esfíngico
Quase, então!?
Ele, nada... uma folha em branco!
Lentes, rápido os seus óculos ergue-
ram-se espertos e o reflexo dos raios
do sol feriram-me os olhos! Principi-
ou a falar e logo mergulhava em
horríveis desculpas, prontas, arru-
madas de uma demora menos para
explicá-las que para decorá-las,
e eu -- quanto ao embaraço -- logo
recusei-lo às explicações.
Dei por encerrado,
mas que Diabo!
Eu, que já ía... Pô-lo a um fim.
Não mais o encontraria. Jamais.
À cidade, à praia ou em lugar nenhum!
Só vai! Some!
O praieiro foi, e eu fiz nota de riscá-lo
Da minha lista! Resolvido! Este aí
Não quero ver mais;
Fechei com ele que não me procurasse;
Ele entendeu e se foi para sempre:
Eu, que já ía...

Pedro Costa

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