PETRO

Blog estritamente com fins literários. Peço,por meio desta, aliás, exijo os direitos sobre tudo o que está escrito. Sem brincadeira, respeitem o espaço, para evitarmos complicações judiciais. Agradece, Pedro Costa.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Metempsicose

Onde está isso
(mal pestanejo)
de ser outrem?
Outr'Alma me responde:
Longe de ti --
Até aqueloutro
ardeu aqui.

Certo modo não
há ninguém.
Um fantasma, apenas.

Olhe ali,
diz-me outro:
Quem é aquele?
Não sei, eu respondo --
Ele é tu além.

Vácuo duro
oprime meu peito
E eu soluço:
-- Mas não sou eu!
É outro, ele me diz;
Já outro.

Sei pouco a meu respeito,
Digo eu; e ele:
-- Muito menos eu!

E já nada serve,
incide ou provoca:
estou dormente.

Aplaino ao sono,
é noite avançada.

Meu corpo ferve,
fraqueja.

Nada já me serve --

Petrecostal

quarta-feira, 8 de março de 2017

Sujo na Cidade

Em meio a árvores
de nada compostas,
só são desfalques
copiosas mentiras
se apagando à medida
em quando subtraem-nas
dos galhos e folhas
e nenhuma nervura sequer
fica ao tronco despido
à copa invisível --
em meio a tanto,
no paço discreto
o naturalismo surdo
de mendigos ergue-se:
                                          suas barbas 
                                          imundas
destacam-se da
                                          face crispada
e ameaça pegar fogo
se há uma faísca;

                                          [e haverá faísca
no mundo que não os fira
o rosto; raspe do mapa sua
barba e afogueie os pêlos?

Duro chão sem lembranças
brota na cidade
quase um acidente
no meio do dia: sola
de sapato presa num
vão da calçada.

Mercadoria roubada
corre entre as mãos
                       [(e passeia
nos ônibus)
entre brilhantes e correntes.

Preso corre à solta
e escapa das autoridades:
                      [manchete de jornal.

Lodo convicto e concreto
armado: é ali o meu 
trabalho.

Tec-tec-tec

Foi mais um dia.
Não há energia à noite
em meu corpo.

Só há um corpo.

Até onde a vista
alcança eu dormirei está
noite -- dormir é um
desafio mas se dorme assim mesmo.

Petrecostal

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Soneto Calmo

Muito para mim
há que deva ser
deserto, mas enfim,
A alma me faz descer

Contente por morrer,
N'agitação de mim
Largo d'outro ver,
Velho estofo, e sim,

Dever se repetir
Como senta o pó,
Também subir

D'alma que quer despir
o tormento à dó,
No mais calmo unir.

Pedro Costa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Atenção!

Prudente o verbo em destaque largando da confusão inspirado a voz verborrágica de mil nós! O que sobressai-se. Interposto o grito acumulado. Certo atencioso o verbo insuflado, a palavra incidiosa, o cateterismo da elocução. Forro da erudição, o cisma inteligente - libertado da condição erguido de um burburinho; quase um descuido. Fartura de vocabulário: para que? Ceticismo ostentado, sentido da dúvida, pavonice. Ergue-se do néscio, captula escapado, faz-se ouvir. Lento e arrastado à voz pausada foi parar na glote estrangulado, e explodiu!

Pedtro

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

The Curse

From responsibility far
Mind of absolut domain
Thoug near reasons complain
Need to have too a vision of dark

Threats from their song,
Spirits between might curse
All around my head this bound
They're coming fast and around
Lifted things up and among

Various types of games
Around they're played
As the curse goes on
At this short time it invades
Gets more and more shaded
_"I feel so alone" _

Thorned in abstract hours
Over nightmare's borned
Tease nights are scored
Dozen of less valued Lords
In infinite lay on my doors.

Pedtro



domingo, 22 de janeiro de 2017

- Sem Título -

Há-de-se observar o medo investido de curiosidade onde hoje aplica-se a contemplação do, por menos abjeto, aspecto inconsciente do sono: evidente que se pode aplicar para o estado de repouso, quando absorto o indivíduo navega por visões nem sempre comuns; abstratas na maioria dos casos, e, por fim, irrepreensíveis conotações de uma realidade tangível, provas de que, em existindo e não existindo o ser naquela experimentação embalsamadora do sono, o seu estado vivo de latência; onde, aliado à mente subalterna, o corpo dormente e inerte é incitado a permanecer neste estado, até que desperte, na proporção quando as forças motrizes do organismo vão-se recuperando, padecendo o no ali inobservado e recluso de falta de uma ciência objetiva para explicar o fenômeno; só resta- e apenas na forma de uma vaga lembrança - uma fração, talvez diminuta, da extensão do mesmo; na qual apóia-se o sonho, no entanto, uma medida frágil e passível de relato que, à sua interpretação possível, possibilitaria um vínculo com propósitos conscientes; cousa esta que considero quase errática enquanto evidência de qualquer alicerçamento para o inconsciente, a em seguida se deslocando do seu âmbito geral ser um redutor potencial em uma relevância particular, a saber, sobre a vivência onírica cujo saber pertence ao indivíduo enquanto tal. Se estanco o amplexo do sono à sua redução vislumbrável por imagens significantes, limito a sensação relativa à noção criada pelos sentidos internos do inconsciente; provo que há uma revelação, ou seja, uma reverência com qualquer objeto externo, e assim, diminuo o valor do sono (visto como alucinação motora); extorno a sua aplicação à ciência comum, perco a sua base inexplicável e ausente do organismo que não sonha (reduzindo todo o processo a nada.)

Petrecostal

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

- Sem Título -

Se escreve, depões.
Se falta a palavra, contrói.
Se organiza um escrito, pensa.
Se pensa, age.
Se obriga, obedece.
Se critica, justifica.
Se julga, acata.
Se crê, observa.
Se sente, ri ou chora.
Nada fazendo, consente.
O tempo te fará melhor ou pior conforme viva melhor ou pior.
Se vive, brilha.
Se nega, opõe.
Se luta, vence.
Se perde, aceita.
Se mora, cuida.
Se ama, sofre.
Se faz, finda.

Pedro Costa